sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Homo Ludens: O jogo como elemento da Cultura - Johan Huizinga

A minha motivação para ler este livro foi o fato de que quando eu iniciei a minha pesquisa sobre o tema do TCC, percebi que este autor estava sendo citado em muitos artigos e teses que envolviam vídeo games. Interessante pois ele escreve em um período em que o vídeo game ainda não existia, 1934. Huizinga é um historiador e filosofo, é um historiador medievalista, na minha graduação de história não me lembro de ter lido Huizinga em nenhum programa do curso, mas as minhas professoras acima dos 50 anos, todas com quem conversei sabiam quem era Huizinga e que ele escrevia sobre o período medieval. Bom vamos lá, vou tentar explicar de maneira mais fácil possível sobre o que o autor trabalha na obra.


O autor irá fazer um estudo antropológico do jogo e o seu elemento lúdico, no decorrer do livro o autor irá se aprofundar no estudo etimológico das palavras e o seu significado, irá recorrer a mitos de diversas civilizações, tudo isso para ligar o elemento lúdico as diversas bases da civilização, os nomes de alguns capítulos são "O jogo e a competição como funções culturais" "O jogo e o Direito" "O jogo e a Guerra" "O jogo e o Conhecimento", dentre outros. Huizinga defende que o jogo e o elemento lúdico é anterior a civilização, ou seja o jogo não é um produto da civilização e sim possui autonomia a ela. Da exemplos de que o jogo não esta restrito a natureza humana, demonstra o espirito lúdico nos animais, as brincadeiras que os lobos e felinos fazem, que irão definir regras de intensidade. É preciso entender isto para dar continuidade em seu pensamento, para ele o elemento lúdico aparece nas bases da nossa civilização e mais do que isso é um elemento importante para o seu desenvolvimento. O que me chamou muito atenção em sua obra foi o elemento de competição que Huizinga explora como um elemento central do jogo, para mim foi através desse eixo que ele conseguiu formular toda a sua tese.

"Não foi difícil mostrar a presença extremamente ativa de um certo fator lúdico em todos os processos culturais, como criador de muitas das formas fundamentais da vida social. O espírito de competição lúdica, enquanto impulso social é mais antigo que a cultura, e a própria vida está toda penetrada por ele, como por um verdadeiro fermento. O ritual teve origem no jogo sagrado, a poesia nasceu do jogo. O saber e a filosofia encontraram expressão em palavras e formas derivadas das competições religiosas. As regras da guerra e as convenções da vida aristocrática eram baseadas em modelos lúdicos. Daí se conclui necessariamente que em suas fases primitivas a cultura é um jogo. Não quer isto dizer que ela nasça do jogo, como recém-nascido se separa do corpo da mãe. Ela surge no jogo, e enquanto jogo, para nunca mais perder esse caráter" Cap.11 - pg 193

Aconselho a leitura, pois o autor irá demonstrar através de fontes tudo o que ele propõe, o seu texto é muito rico em informações de costumes antropológicos, Potlatch é um belo exemplo, eram competições que certos povos faziam de esbanjo de recursos e comida, conquistavam a honra demonstrando quem tinha mais a ser jogado fora, ou até mesmo destruído.


Como fruto da  minha pesquisa bibliográfica acho que vale a pena encaminhar o livro de Roger Caillois - Os jogos e os homens. Lisboa: Cotovia, 1990. É um livro português, encontrei fácil para download no Google. Mas não encontrei em lugar nenhum para comprar, em nenhum mesmo, nem na estante virtual, mas por sorte encontrei na biblioteca da minha faculdade PUC- SP. 

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